OXALATO TEM RELAÇÃO COM FORMAÇÃO DE CÁLCULOS?

O oxalato, ou ácido oxálico, é o inibidor mais potente da absorção de cálcio, mas, é importante entendermos que a sua função no organismo vegetal é indispensável para que o cálcio fique em equilíbrio. O cálcio livre ou em excesso causa morte celular e por isso algumas plantas usam o oxalato como forma de prevenção. Elas se ligam ao oxalato para o cálcio não ficar solto, logo tem grande importância para a sobrevivência do reino vegetal.

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Devido aos seus efeitos na absorção de nutrientes e possível papel na formação de pedra nos rins, oxalatos são considerados como antinutrientes. Os principais alimentos fontes de oxalato são o espinafre, ruibarbo, acelga, amaranto, batata doce, beterraba e cacau em pó desidratado. Alguns outros vegetais como as brássicas (couve, brócolis, repolho e folha de nabo) possuem melhor absorção de cálcio por não precisarem do oxalato para se proteger.

Mas será mesmo que seu consumo de alimentos fontes de oxalatos tem interferência na formação de pedras nos rins? Uma análise prospectiva do The Nurses ’Health Study(NHS) encontrou apenas uma associação modesta entre oxalato dietético e formação de cálculos nos rins após ajuste multivariado. Participantes no quintil mais alto em comparação com o quintil mais baixo de oxalato dietético apresentou um risco relativo de 1,22 para homens e 1,21 para mulheres idosas.

No geral, os autores concluíram que o oxalato dietético não é um principal fator de risco para a formação de cálculos. Em uma análise mais recente do NHS I e do NHS II, os autores novamente concluíram que o oxalato dietético teve pouco impacto na formação de cálculos renais, enquanto o cálcio dietético a ingestão foi inversamente associada à formação de cálculos renais.

A revisão mostra que a ingestão adequada de cálcio, potássio e magnésio são eficientes para minimizar significativamente o oxalato solúvel disponível e diminuírem a formação de cálculos. Os métodos de cocção também demonstraram redução significativa do conteúdo de oxalato, os mais eficientes foram à fervura e vaporização.

O consumo de proteína animal foi associado como maior fator risco de pedra nos rins e o consumo de vegetais e chá foram associados a uma diminuição do risco de formação de pedra devido a presença de seus fotoquímicos. Além disso, os alimentos que contêm oxalato possuem uma variedade de compostos protetores benéficos que podem superar quaisquer efeitos negativos do oxalato. A revisão sugere que uma dieta a base de plantas balanceada e com técnicas dietéticas adequadas, mesmo contendo fontes de oxalato, não são responsáveis por formação de pedras nos rins.

 

Camille Dutra é Nutricionista especialista em Nutrição Esportiva Funcional.

 

Referências: 

SLYWITCH, Eric. Alimentação sem carne: guia prático: o primeiro livro brasileiro que ensina como montar sua dieta vegetariana. - 2. ed. rev. São Paulo : Alaúde Editorial, 2015.

DOI: 10.3390/nu12102929