MOTHER SCIENCE: CONSUMIR PROTEÍNA VEGETAL FAZ VOCÊ VIVER MAIS?

 

Um estudo de corte prospectivo realizado nos Estados Unidos e com duração de 16 anos, analisou dados de 416.104 participantes, entre homens e mulheres, com o objetivo de avaliar as associações entre mortalidade geral e mortalidade por causas específicas e o consumo de proteína vegetal.

 

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Foi identificado que o maior consumo de proteína vegetal estava associado ao risco reduzido de mortalidade geral, com homens e mulheres apresentando, respectivamente, 12% e 14% menos mortalidade. A substituição de 3% de energia proveniente de várias fontes de proteína animal por proteína vegetal foi associada a uma redução de 10% da mortalidade geral em ambos os sexos. Além disso, as análises mostraram que a substituição da proteína do ovo e da carne vermelha por proteína vegetal resultou nas associações protetoras mais proeminentes para a mortalidade geral, representando risco de 24% e 21% menor para homens e mulheres, respectivamente.

Tais associações não estão presentes apenas nesse estudo, mas vários estudos anteriormente publicados, acumularam evidências consideráveis ​​que apoiam um papel benéfico das dietas à base de plantas na prevenção de doenças cardiovasculares (DCV). Pois, as proteínas vegetais, por apresentarem um alto teor de substâncias bioativas, incluindo compostos fenólicos, antioxidantes, vitaminas e minerais, têm sido associadas à redução de fatores de risco de DCV, incluindo pressão arterial mais baixa e perfil lipídico e lipoproteínas melhorados. Enquanto o maior consumo de carne vermelha e processada tem sido consistentemente associado ao aumento de morte prematura, possivelmente devido ao estresse sistêmico oxidativo, aumento da inflamação, ferro heme e formação endógena de compostos N-nitrosos.

É importante ressaltar que os mecanismos para essas associações de mortalidade por DCV ainda não são tão claros, embora diferentes constituintes de aminoácidos, relacionados à fonte de proteína e a coexistência de nutrientes bioativos na matriz alimentar vegetal têm sido sugeridos como contribuintes. Por exemplo, proteínas de origem vegetal contêm concentrações mais elevadas de aminoácidos não essenciais (por exemplo, arginina e glicina) e menos aminoácidos essenciais (por exemplo, metionina, lisina e triptofano), o que poderia influenciar a saúde cardiovascular por meio de uma menor rigidez arterial ou diminuição sistêmica e vascular da geração de espécies reativas de oxigênio. Além desses potenciais efeitos diretos da proteína, outros componentes presentes nos alimentos podem influenciar a saúde, é o caso do ferro heme, nitratos, nitritos e sódio da carne vermelha e processada, e os ácidos graxos insaturados, antioxidantes, vitaminas e minerais característicos dos alimentos de origem vegetal.

Os autores concluíram que uma maior ingestão de proteína vegetal foi associada a pequenas reduções no risco de mortalidade geral e por doenças cardiovasculares. As descobertas deste e de estudos anteriores fornecem evidências de que modificações dietéticas na escolha das fontes de proteínas podem promover saúde e longevidade.

 

Texto escrito por Ale Luglio, nutricionista especializada em nutrição vegetariana.

 

FONTE:

Huang, J et al. Association Between Plant and Animal Protein Intake and Overall and Cause-Specific Mortality. JAMA Intern Med. Published online July 13, 2020. doi:10.1001/jamainternmed.2020.2790