RELAÇÃO DO CONSUMO E AS QUEIMADAS NO PANTANAL

Foto: Amanda Perobelli

Como tem se falado nos últimos dias, o Pantanal tem sofrido queimadas como nunca antes, e se estima que somente no ano de 2020 teve mais de 12% de sua região devastada. Para se ter uma ideia, foram queimados mais de 2 milhões de hectares, um tamanho que supera as cidades de RJ e SP juntas em mais de DEZ VEZES - talvez colocando dessa forma fique um pouco mais fácil de entender a real magnitude disso tudo.

 

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Essas queimadas acontecem por inúmeros fatores, mas todos temos a nossa parcela dentro disso, e o dever de reconhecer ela. Não é das tarefas mais fáceis a gente assumir essa responsabilidade, eu sei, mas sem incômodo nenhuma mudança efetivamente aconteceria, né?

Pois bem, a gente pode repensar diferentes formas de consumo que impactam diretamente o aquecimento global, o desmatamento da Amazônia e do Pantanal também, mas no final das contas, considerando a proporção e o peso de cada escolha individual que podemos fazer, a resposta continua sendo a mesma: o consumo de carne já se mostrou e segue se mostrando insustentável por diferentes motivos.

Enquanto o Pantanal registra focos de calor 29% superiores em comparação com o último ano (INPE, 2020), o país registra sua maior e mais lucrativa safra de soja da história - ainda mais considerando o aumento da demanda chinesa e a alta do dólar. E enquanto milhares de espécies são comprometidas de maneira possivelmente irreversível, a perícia do Corpo de Bombeiros relata que boa parte das queimadas são causadas de forma criminosa e intencional.

Os mapas abaixo ilustram, respectivamente, a faixa que contempla o Pantanal no nosso país e a distribuição da produção de soja no Brasil estimada pela INTL FCStone (atual Stonex) em 2019:

Foto: Colorfotos

Fonte: StoneX

 

A situação é simples e igualmente séria. A indústria agropecuária é a principal causa de desmatamento no mundo atualmente. Muitas das queimadas são provocadas propositalmente para “limpar” o solo e perpetuar a monocultura da soja - que empobrece nutricionalmente e esgota ambientalmente as áreas cultivadas para sua preservação - e essa é cultivada em aproximadamente 80% dos casos com a única finalidade de se tornar ração para animais que posteriormente serão abatidos e vendidos como carne.

É uma cadeia que envolve muitas etapas mas tem uma única finalidade, uma demanda excessiva e um impacto descomunal. No fim das contas é preciso despertar pras consequências daquilo que escolhemos nos alimentar, para nutrir e preservar não só o corpo físico, mas também o planeta em que vivemos e as outras espécies com quem compartilhamos.

Foto: Mario Habelferd

 

Texto escrito por Vegalizai

 

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