CONSUMIR MAIS PROTEÍNA VEGETAL PODE TE DAR UMA VIDA MAIS LONGA

Doenças cardiovasculares e o câncer são as duas principais causas de morte no mundo, sendo a dieta um importante instrumento para a prevenção. Em uma metanálise publicada recentemente no The British Medical Journal, pesquisadores da Universidade de Harvard e da Universidade de Ciências Médicas de Teerã avaliaram 32 estudos, com 715.128 participantes, onde o objetivo foi esclarecer a associação entre a ingestão de proteínas animais e vegetais e a mortalidade por câncer, doenças cardiovasculares e todas as causas. 

 

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O consumo de leguminosas, cereais e oleaginosas como principais fontes de proteínas vegetais foi significativamente associado a um menor risco de mortalidade por todas as causas e doenças cardiovasculares. Essas associações inversas entre ingestão de proteínas vegetais e mortalidade, permaneceram expressivas em estudos que controlaram a ingestão calórica, o IMC e macronutrientes, e em estudos com acompanhamento inferior a 15 anos e aqueles que aplicaram um questionário de frequência alimentar para avaliação da dieta. O maior consumo de proteínas vegetais foi associado às mudanças favoráveis ​​na pressão sanguínea, circunferência da cintura, peso corporal e composição corporal, o que pode ajudar a diminuir o risco de diversas doenças crônicas, incluindo doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2. Já a ingestão de proteína animal, independente do peso corporal, foi associada à hipercolesterolemia, enquanto o consumo de proteínas vegetais foi associado a baixos níveis de colesterol plasmático. 

A fermentação bacteriana das proteínas vegetais no intestino pode ajudar a reduzir a produção de metabólitos potencialmente tóxicos e cancerígenos, como amônia, aminas, fenóis e metabólitos de sulfetos. Os peptídeos bioativos derivados das proteínas vegetais também podem ter propriedades benéficas para a saúde, entre elas atividades antioxidantes, anti-inflamatórias, anti-hipertensivas e antimicrobianas. Além disso, as diferentes associações entre proteínas animais ou vegetais e o risco de mortalidade podem ter relação com as diferenças na composição de aminoácidos. As proteínas vegetais contêm quantidades mais baixas dos aminoácidos lisina e histidina do que as proteínas animais e foi demonstrado que a alta ingestão desses aminoácidos aumenta a secreção de lipoproteínas contendo apo B. Portanto, esse pode ser o mecanismo de proteção contra doenças cardiovasculares. No geral, todos os estudos avaliados apoiam os efeitos benéficos das proteínas vegetais na saúde humana. Porém, é importante considerar que, nós, seres humanos não consumimos macronutrientes isolados, como proteínas. O consumo de outros nutrientes e a composição dos alimentos com maior teor proteico também podem ser responsáveis ​​por essa associação. 

O estudo conclui que o consumo de proteínas vegetais está associado a um menor risco de mortalidade por todas as causas e por doenças cardiovasculares, e isso é consistente com seus efeitos benéficos nos fatores de risco cardiometabólicos, incluindo perfis de lipídios e lipoproteínas no sangue, pressão arterial e regulação da glicemia. Para cada 3% de caloria adicional vinda de proteína vegetal, como leguminosas, cereais e oleaginosas, o risco de mortalidade diminuiu em 5%. Em relação ao consumo de proteínas de origem animal não houve redução do risco de mortalidade por doença cardiovascular ou câncer. Dessa forma, os autores sugerem que o consumo de proteínas vegetais pode ser aumentado com relativa facilidade, substituindo a proteína de origem animal e promovendo a longevidade.

 

FONTE: Naghshi S, Sadeghi O, Willett WC, Esmaillzadeh A. Dietary intake of total, animal, and plant proteins and risk of all cause, cardiovascular, and cancer mortality: systematic review and dose-response meta-analysis of prospective cohort studies. BMJ. 2020;370:m2412-m2429

 

Texto escrito por: Ale Luglio, nutricionista especializada em nutrição vegetariana.

 

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