“MAS NEM PEIXE?"

Você já escutou essa frase depois de parar de comer carne, né? É curioso como as pessoas não tem a imagem dos animais aquáticos como animais que sentem dor e que também são muito explorados. Ouso falar que é a indústria mais mortal do mundo. Se fala muito sobre porcos, bois e frangos. Inclusive ativistas veganos falam muito menos sobre peixes do que os outros animais. Vamos mudar isso? 

 

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Primeiro e sempre muito importante lembrar: peixes são sencientes, ou seja, sentem. Um estudo do laboratório do bem-estar animal da UFPR, confirma que além de dor, os peixes podem se sentir estressados também. Sobre a indústria do abate de animais marinhos, vocês sabiam que além da pesca, existe tipo uma fazenda para a criação deles? É a aquicultura. 

A aquicultura é a reprodução e o crescimento de organismos aquáticos, como plantas e animais (peixes, moluscos, crustáceos, anfíbios e répteis) em ambiente aquático controlado ou semi controlado, tal como, por exemplo, em fazendas, para criação de peixes em lagos e/ou tanques; em rios; ou no mar (Siqueira, 2017). Esses animais que são criados em “fazendas”, são alimentados por rações até atingir seu desenvolvimento perfeito pra ir para o abate. Sim, a indústria fez com que até peixes consumissem ração. 

De acordo com FAO (2018), a produção mundial de pesca e aquicultura no mundo em 2016 foi de 170,9 milhões de toneladas. Vocês conseguem imaginar esse número de animais marinhos sem vida na tua frente? É de assustar!

Além da aquicultura, temos o processo de abate mais conhecido, que é a pesca marinha. Os animais são pescados em grandes redes, para ter um volume enorme de animais de forma mais rápida. Mas o que acontece é que eles ficam muito esmagados, todos um em cima do outro. Já viu Nemo? Lá mostra mais ou menos como é feito e se vocês lembram, eles ficam se debatendo muito por não ter espaço e começam a ficar sufocados.

 

Imagem: https://pin.it/2G79I1g

 

Inclusive, as mortes mais comum dos animais marinhos são por asfixia e choque térmico. Na primeira, o homem pesca e deixa o animal vivo, dentro de um balde, até que pare de respirar. O choque térmico é através do congelamento. Sim, os peixinhos são congelados vivos! Existem outros tipos de abate, como golpe letal na cabeça, choque elétrico e a secção medular, que é a inserção de uma faca em um dos opérculos do peixe, atingindo a medula. Todos estes métodos geram sofrimento ao peixe, mas ainda assim, alguns são considerados “humanitários”. Precisamos refletir sobre isso! Como um ser vivo morrer dessas formas pode ser humanitário?

 

Imagem: https://pin.it/WqJozOn

 

É preciso perceber esse processo e o quanto ele é cruel. Além disso, através das grandes redes de pesca e anzóis, muitos outros animais que não são alvo de pesca, são mortos por entrarem junto aos outros peixes na rede. Em janeiro de 2020, foram encontrados 3 tubarões juvenis mortos e presos em rede de pesca no litoral de São Paulo. Essas notícias são recorrentes com tartarugas e golfinhos também. Mas como esses animais são proibidos de caça no Brasil, o levantamento dos números é feito por uma pesquisa boca a boca com o pescador. E isso envolve os pesquisadores a confiarem nos dados que os pescadores passam. Por ser proibida a caça desses outros animais, os pescadores podem sentir medo e não revelar o número real de pesca acidental. 

Muitas vezes não queremos enxergar tamanha crueldade e realidade. Mas a indústria dos animais marinhos é enorme e muito desumana. E quando você conhece o que tem por trás do salmão exposto congelado no supermercado, entende o porquê de não comer. Então não, “nem peixe”!

 

Referências: 

AQUICULTURA: A NOVA FRONTEIRA PARA AUMENTAR A PRODUÇÃO MUNDIAL DE ALIMENTOS DE FORMA SUSTENTÁVEL

DE LA PESCA Y LA ACUICULTURA

https://ceua.ufsc.br/files/2012/04/bem-estar-em-peixes.pdf

Três tubarões são encontrados mortos no mesmo dia em praia de SP; FOTOS

 

Texto escrito por: Vegalizai

 

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