PRODUTOS QUE VOCÊ PODE - E DEVE - EVITAR

Imagem: http://phys.org

 

Não é novidade nenhuma que assuntos relacionados ao meio ambiente como desmatamento, emissão de gases, poluição dos oceanos e tudo que desencadeia mudanças climáticas tem ganhado evidência nos últimos tempos, e é maravilhoso ter cada vez mais disponibilidade de informações que nos fazem refletir sobre esses assuntos, mas pensar nisso como algo amplo e distante, nos faz esquecer da auto responsabilidade nas pequenas ações que impactam - e muito - nisso tudo. E é pra isso que esse texto foi criado, pra te mostrar alguns produtos que fazem parte de muita rotina e que não só devem, mas precisam ser substituídos:

 

ESFOLIANTES

Nem o nosso skincare tá a salvo da problematização... Inclusive ele nem deveria poder ser atribuído dessa forma, porque de nada adianta cuidar do corpo mas não cuidar do mundão, né? Empresas gigantes de cosméticos utilizam das microesferas em cremes e sabonetes esfoliantes para retirada de pele morta. 

Pra quem não tá familiarizado, essas microesferas são produzidas de polietileno ou polipropileno (em português = plástico), e o tamanho varia entre 0,0004 e 1,24 milímetros, ou seja, mesmo direcionadas a estações de tratamento depois do teu banho, escapam com muita facilidade (é uma ideia bem parecida aos microplásticos do glitter do carnaval). 

 

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A partir disso, chegando aos oceanos, elas funcionam como esponjas para mais poluentes químicos, são confundidas com alimentos pelos animais marinhos como tartarugas e peixes - e se tu ainda consome peixe, mais uma notícia: esses microplásticos acabam entrando na tua cadeia alimentar também.

Como que eu faço pra esfoliar minha pele então gente? 

Quando for comprar produto esfoliante, dá um check na embalagem. Se constar “polietileno, polipropileno, polyethylene, polypropylene, polyethylene terephthalate, polytetrafluoroethylene, polymethyl methacrylate e nylon” ou alguma variação similar pra esse show de plástico disfarçado em nomenclatura química, já sabe que coisa boa não é, então evita consumir. 

Pra quem adora uma invenção e um produto naturebinha, dá pra fazer esfoliação em casa com itens bem acessíveis: bucha vegetal ou misturas de óleos naturais com café em pó, aveia, fubá, ou ainda açucar mascavo - busca sua combinação favorita, joga no Google as propriedades de cada um desses produtos naturais e arrasa no homemade esfoliante - multinacionais, por que choram?

 

Imagem: https://lar-natural.com.br/

 

LATAS COM AEROSOL

Imagem: https://www.ecycle.com.br/

 

Sabia que, em média, cada pessoa consome mais do que 5 dessas latinhas (seja pra inseticida, odorizador de ambiente ou - o mais comum - desodorante) por ano no Brasil? E sabia que o percentual de reciclagem delas, que são tão comuns no nosso dia a dia é de 1% (ABAS, UNICAMP, 2018) por aqui? Bizarro, né?

Isso porque os materiais no interior dessas latas são os chamados compostos orgânicos voláteis (VOCs), e sendo tóxicos ou não, e eles precisam passar por um processo bem específico para ser reciclado.

Ninguém precisa ser gênio da matemática para entender que essa conta não fecha. Mas então, como eu posso adaptar meu consumo? Repensando o formato do produto que você consome e o descarte dele igualmente. Inseticidas podem ser substituídos por sprays, velas ou repelentes naturais - tanto caseiros, quanto comprados. Odorizador de ambiente pode ser facilmente substituído de lata por borrifador ou difusor de aromas. Desodorante pode ser em creme e a embalagem roll on - optar pelas biodegradáveis ou reutilizáveis (como vidro) é um plus.

 

Imagem: https://www.divirtaseorganizando.com.br/

 

DETERGENTES

Imagem: https://positiva.eco.br/

 

Já parou pra pensar nos compostos de um detergente? Parece algo tão distante por ser mais um item criado a partir de combinações químicas que mais parece grego pra quem não entende, mas é um item que todo mundo tem em casa, sempre. Existem muitos compostos que degradam o meio ambiente nesses produtos - afinal, eles são derivados do petróleo, mas aqui vamos nos atentar as fragrâncias e fosfatos. 

As fragrâncias, corantes e espessantes buscam basicamente tornar o produto mais atrativo pro consumidor através da cor e do seu cheiro, mas por motivos similares às latas de aerosol -  também se enquadrando como VOCs - precisam de tratamento super específico para serem tratados da forma correta - o que muito dificilmente acontece.

Os fosfatos são usados para baratear os produtos, e apesar de não serem tóxicos no uso rotineiro, são os que mais impactam os oceanos quando descartados, porque seu contato com a vida marinha favorece a proliferação excessiva de algas, o que casa eutrofização das águas. 

Por causa disso, o Conselho Nacional do Meio Ambiente criou a regulamentação de que os produtos devem conter um teor máximo de 4,8% de fósforo em suas composições, mas se é possível fabricar detergentes sem eles, por que ainda escolher consumir eles?

Tem surgido cada vez mais opções no mercado sem essas lista de ingredientes polêmicos, e é sempre bom lembrar que misturinhas caseiras, como de bicarbonato com vinagre, também desempenham papéis salvadores na limpeza.

 

CLORO

Se para muitos o cloro é tido como coringa para limpeza, para a EPA (Agência de Proteção Ambiental dos EUA) é classificado como pesticida - e isso já diz tudo. Não deu pra entender? A gente explica:

Essa classificação orienta que o único objetivo desse produto é de eliminar organismos vivos. Isso mesmo. Então quando se faz uso de substâncias com cloro, elas não só matam bactérias, mas impactam qualquer célula e tecido que entre em contato. E se já não bastasse a seriedade disso, o problema não para por aí, ele acaba chegando - claro - até os nossos oceanos também.

Algumas fórmulas de cloro dos produtos de limpeza e alvejantes usam os estabilizadores - olha eles aqui de novo - e outras substâncias pesadas como mercúrio que poluem e intoxicam organismos aquáticos. Claramente esses não são itens biodegradáveis, e assim prejudicam as espécies marinhas e toda cadeia ambiental, direta e indiretamente.

 

ÁGUA SANITÁRIA *leves surtos*

Nesse momento de pandemia mais do que nunca, a água sanitária virou um item essencial dentro de casa pela sua função higienizadora, a gente sabe e inclusive também caiu nessa. Mas se parar para ver a recomendação primária da OMS para evitar a disseminação do vírus, tá bem claro de que o mais indicado é usar água e sabão. Isso porque, além da higienização estar em ênfase, sendo reforçada em quantidade e cuidado, usar produtos agressivos para nós mesmos e pro nosso ambiente não seria a melhor alternativa. 

Basta refletir sobre o impacto do próprio Coronavírus, que impacta as vias respiratórias de quem contrai o vírus. Se parar para pensar, a água sanitária também é um item que prejudica e muito nosso sistema respiratório quando mantida em contato frequente. 

Considerando tudo isso, evitar usar esses produtos agressivos e substituir por sabão neutro e água limpa é a melhor indicação - o corpo e o planeta agradecem!

 

Imagem: Marilza Silva

 

Com essas informações, dá pra perceber que muito do que acontece com o nosso meio ambiente não significa que precisamos ser especialistas e transforme tudo de uma vez, mas demanda que a gente faça mudanças, sim. Além disso, repassar essas informações adiante, para que cada vez mais pessoas tenham conhecimento e possam repensar suas atitudes também é um potencializador de resultados. E, por fim, cobrar posicionamento e retorno das marcas que ainda comercializam produtos com esses elementos e substâncias também tem muito valor - afinal, a informação tem poder transformador. Bora mudar o mundo mudando pequenos hábitos, consumos e pensamentos?

 

Texto escrito por: Vegalizai

 

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