SEU LIXO AUMENTOU NA PANDEMIA? APRENDA A DESCARTAR CORRETAMENTE

Imagem: Hermes Rivera

 

A gente sabe, nós já conversamos sobre isto. Na pandemia, estamos ficando mais tempo em casa, e a consequência é percebermos mais o nosso lixo. Não é que estejamos produzindo em maior quantidade, porém, agora, ele está todo centralizado em nossa casa - logo, o enxergamos mais.

 

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A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) estima que as medidas de quarentena e de isolamento social geraram, no país, um aumento de 15% a 25% na quantidade lixo residencial. Já para os resíduos hospitalares, o cálculo é de um crescimento de 10 a 20 vezes. E isto resume e comprova o que falamos antes: o lixo agora está centralizado onde mais ficamos.

Se você é uma pessoa que não cuida da sua geração de lixo, é importante se policiar, pois, em alguns pontos do mundo, a pandemia do Covid-19 gerou contaminações tão inéditas quanto preocupantes. O alerta é de ambientalistas da ONG OceansAsia, que denunciaram o impacto desse novo tipo de lixo nas Ilhas Soko, na costa sudoeste de Hong Kong.

 

Imagem: Naomi Brannan

 

Em conjunto com a WWF, a pesquisa monitora a superfície dos oceanos com drones. No início da epidemia, já foram encontradas máscaras no ambiente marinho e, com o agravamento do problema, elas foram vistas ao longo da linha da maré alta e do litoral, à deriva nas correntes, chegando até a costa.

Quanto às máscaras descartáveis, convenhamos: o ideal é nem usá-las. Aqui ensinamos a fazer uma caseira, super fácil e ainda sem costura. E tem uma série de produtos que podemos substituir para gerar menos lixo: shampoo convencional pelo shampoo em barra, sacola plástica pela ecobag, escova de dente pela escova de bambu… e essa lista é infinita! Mas vamos lá, por mais eco-friendly que você possa ser, é impossível viver no mundo atual totalmente sem lixo. Por isso torna-se essencial aprendermos a descartar o lixo de forma correta - e isso vai muito além do orgânico e do seco.

Antes de tudo, se a sua a prefeitura não oferece um serviço de coleta especializado, a sua missão não estará cumprida. Caso seja esse o problema, leve o seu lixo reciclável até cooperativas e faça a sua parte. Se a sua prefeitura realiza a coleta, ou ainda, se o seu condomínio tem locais apropriados para descarte, vamos conhecer melhor cada lixeira.

 

Imagem: Pawel Czerwinski

 

O descarte de papel, mundialmente representado pela cor azul; anote aí tudo que pode ser reciclado e vai nessa lixeira: papelão, caixas em geral, papéis usados de escritório, livros, cartolinas, revistas, jornais, embalagens longa-vida (que devem estar limpas e secas). Ainda tem os que não podem ser reciclados, que devem ir para o lixo orgânico: etiquetas adesivas, papéis encerados, papel carbono, lenços de papel e papel higiênico.

Na lixeira vermelha, de plástico, vão as garrafas pet de refrigerante, sacolas plásticas, CDs, tubos de plástico e canos. Mas considere que não poderão ser reciclados os plásticos que acompanham os eletrônicos (chamados de termofixos) e as embalagens metalizadas típicas de salgadinhos. Aqui uma dica importante: é lei que a empresa geradora do lixo eletrônico descarte-o corretamente. Então, na hora em que aquela televisão não tiver mais conserto, entre em contato com a marca dela.

Na coleta seletiva verde, de vidro, o que serve para ser reciclado: copos ou outros utensílios do material quebrados e garrafas de bebida. Porém, ao descartá-los procure enrolar o pedaço quebrado em um jornal para não machucar a mão de quem irá manusear o lixo. No caso do vidro, também existem aqueles que não podem ser reciclados, são eles: vidros de automóveis, cristais, vidros de janelas e espelhos.

Por último, na lixeira azul ou amarela, para metais, o que serve para ser reciclado: tampas de embalagens, latinhas de bebidas, latas de produtos alimentares, folhas-de-flandres. O nosso país é o que mais recicla latinha de alumínio no mundo. Ah, e lembre sempre de lavar a embalagem e amassar a latinha antes de colocar no lixo - muitos gatos se machucam ao tentar comer os restos nelas. E ainda observe o que não poderá ser reciclado: esponjas de aço, tachinhas, grampos e clipes.

Outros lugares disponibilizam essas outras cores de lixeiras: laranja, para resíduos perigosos; roxo, para resíduos radioativos e cinza para resíduos não recicláveis, misturados ou contaminados. Pegue aqui ainda este gabarito de como descartar alguns materiais específicos:

 

BATERIAS E PILHAS

Elas possuem uma composição que pode fazer muito mal quando entram em contato com a terra, como o chumbo, mercúrio, entre outros metais. O seu efeito nocivo será sentido nos animais e nas plantas do lugar onde elas foram descartadas. Por isso, a maneira correta de descartar pilhas e baterias é colocando-as em um saco separado e levando diretamente em um posto de coleta. Existem vários, é só dar um Google pra descobrir na sua cidade!

 

ÓLEO DE COZINHA

Quando você o joga na pia, poderá causar sérios problemas em sua rede de esgoto, sem falar, que ele alcançará córregos e rios. O óleo na água impede a entrada de oxigênio e isso faz com que plantas e peixes morram. Para descartá-lo de maneira correta, separe uma garrafa de plástico e sempre que tiver que jogar fora o líquido usado, coloque-o dentro. Depois, é só levar em um posto de coleta. Aqui também ensinamos como transformar o óleo em sabonete!

 

ELETRODOMÉSTICOS E ELETRÔNICOS 

Eles podem contaminar seriamente o solo por possuírem metais pesados, como níquel, chumbo e cádmio. Sem falar que possuem outras partes com materiais que demoram muito a se decompor, como a borracha e o vidro. Problema maior ainda para quem precisa descartar uma geladeira de modo antigo, que tem um gás tóxico armazenado, o CFC, um dos responsáveis pela destruição da camada de ozônio. Para descartá-los da maneira correta, procure saber se na sua cidade existe esse serviço ou procure entrar em contato com o fabricante. Também pode virar um material reutilizado por alguma cooperativa na sua cidade.

 

REMÉDIOS 

É muito comum que as pessoas joguem os remédios com validade vencida diretamente no lixo, porém, é perigoso. Muitos deles possuem substâncias tóxicas. O modo correto de descartar remédios é levando-os a centros de coletas juntamente com a embalagem.

 

LÂMPADAS

Dentro das lâmpadas se esconde um metal muito tóxico, o mercúrio. Quando a lâmpada está queimada, esse material “explode” e é o vidro que não permite que ele contamine o ambiente. Porém, uma vez jogado em qualquer lugar, o vidro pode quebrar e a água e o solo acabarem poluídos. O modo correto de descartar as lâmpadas é deixando-as separadas do lixo comum, em caixas fechadas, de forma que o vidro não se quebre. Em algumas cidades já existem postos de coleta, como no Rio de Janeiro, em lojas que vendem lâmpadas fluorescentes.

 

Ufa… Ninguém disse que seria fácil. E isso ainda é só um resumão de como descartar, mas longe de ser tudo que precisamos saber.

 

Este não é um texto que diz para fazer tudo ou não fazer nada, mas que despertará a sua consciência rumo a um mundo mais sustentável. Para finalizar, pegue aqui estes dados: de acordo com o EcoDebate, no Brasil, são geradas 78,4 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano. Destes, 71 milhões de toneladas são descartadas de forma inadequada. Para completar, a média de resíduos gerados por uma pessoa chega a um quilo por dia.

 

Venha com a gente para sermos parte da solução!

 

Texto escrito por: Vegalizai

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