VEGETARIANOS TÊM UM IMC MAIS BAIXO

Um artigo recém publicado no Journal Nutrients, analisou registros de dietas alimentares e compararam a ingestão de produtos derivados de animais com marcadores de saúde. Os dados utilizados foram de adultos selecionados do Centro de Pesquisa de Doenças da Civilização de Leipzig (LIFE), na Alemanha, que estuda as causas e desenvolvimentos de doenças comuns, como obesidade, depressão e demência. O objetivo do estudo foi avaliar se a restrição e/ou redução do consumo de alimentos de origem animal (carne vermelha, carne processada, frango, peixes, ovos, leite e derivados) tem relação com um menor peso e sintomas depressivos mais elevados. Todos os participantes foram submetidos a avaliação antropométricas e responderam a extensos questionários sobre hábitos alimentares, humor depressivo e personalidade.

 

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Foi observado que aqueles que consumiram uma menor quantidade de produtos de origem animal tiveram um Índice de Massa corporal (IMC) menor quando comparados àqueles que consumiram mais carnes, peixes, ovos e laticínios, mas não houve ligação entre a ingestão de produtos de origem animal e sintomas depressivos. Os autores atribuíram o menor IMC em vegetarianos a uma menor ingestão calórica e de alimentos ultraprocessados. Essa redução de peso está relacionada ao fato de os produtos de origem animal terem uma densidade calórica maior e serem ricos em gorduras totais e saturadas, quando comprados aos alimentos de origem vegetal. Outro ponto destacado, foi que as carnes e o leite, muitas vezes, são consumidos na forma de produtos ultraprocessados, por exemplo, carne processada, embutidos, queijos, frituras, salgadinhos, aumentando ainda mais o consumo calórico. Dessa forma, uma menor ingestão calórica pode estar implícita na relação observada entre a menor frequência de consumo de alimentos de origem animal e menor IMC.

Se considerarmos uma mudança na dieta de um indivíduo com hábito onívoro convencional ocidental para uma dieta mais baseada em vegetais, ou seja, evitar carnes processadas e embutidos e reduzir a ingestão de laticínios, isso levaria à redução de IMC de aproximadamente 1,2 kg / m2. Para uma pessoa de 175 cm de altura e cuja dieta tem o consumo frequente de todos os tipos de produtos de origem animal, ao reduzir o consumo de várias vezes ao dia, para várias vezes na semana ("dieta flexitariana") ou excluir alguns completamente (dieta "vegana" ou "vegetariana"), isso se traduziria na perda de cerca de 4 kg de peso corporal. Em indivíduos obesos (por exemplo, 100 kg, ou seja, IMC = 32,7 kg / m2), essa mudança de alimentação significaria uma redução de 4% peso corporal; e para quem estiver acima do peso (por exemplo, 80 kg, IMC = 26,1 kg / m2), significaria uma redução de 5% do peso corporal. A redução de 5 a 10% do peso corporal demonstrou diminuir significativamente as comorbidades associadas ao sobrepeso e à obesidade. 

Assim, restringir e/ou reduzir de maneira expressiva o consumo de produtos de origem animal, pode ser uma estratégia para a perda de peso e, consequentemente, uma redução da carga social de doenças relacionadas à obesidade e o impacto ambiental causado por dietas com alto teor de produtos de origem animal. No entanto, o estudo ressalta que tais cálculos de redução de peso devem ser interpretados com cautela, pois os achados se baseiam apenas em dados autorrelatados e transversais, e não foi possível quantificar a ingestão alimentar em relação às quantidades totais consumidas de alimentos. 

 

FONTE:   Medawar, E et al. Less Animal-Based Food, BetterWeight Status:  Associations of the restriction of animal-based product intake with body-mass-index, depressive symptoms and personality in the general population. Nutrients 2020, 12, 1492; doi:10.3390/nu12051492

 

Texto escrito por: Ale Luglio, nutricionista especializada em nutrição vegetariana.

 

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