O ESTEREÓTIPO DO VEGANO

Eu sei, por mais que a gente sempre busque criar a nossa própria verdade, aderir a qualquer movimento nos torna suscetíveis a alguns padrões que isso pode ou não englobar. Seja com política, religião ou uma ideologia que fuja minimamente do normatizado, ainda vão existir caixas pra colocar pessoas muito distintas com alguns pensamentos em comum - e no veganismo, claro que não é diferente.

 

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Pra quem vê do lado de fora, o veganismo é frequentemente conhecido como uma prática extrema e elitista, e apesar de tudo isso não passar de má interpretação, acaba afastando ainda mais quem não tem a pretensão de aderir ao movimento a quem o defende incisivamente. O erro nessa classificação excludente se dá justamente pelo uso de algumas informações pontuais pra rotular toda uma ideologia: vendo de fora o vegano como aquele que come doce de tâmaras, só bebe água no seu ecocopo comprado no exterior e tá disposto a gastar mais por um shampoo com selo cruelty-free, a gente gera um preconceito que resulta em afastamento ainda maior, mesmo daqueles que sentem vontade ou curiosidade de participar disso. Quem nunca falou com amigos sobre o tema e recebeu um “eu adoraria tentar, mas é muito caro/difícil/limitante”, quando na verdade, não se considera o que o veganismo como a sua própria definição: a exclusão, na medida do possível e praticável, de produtos de origem animal. 

E antes fosse esse o único clichê ou estereótipo dentro do tema, mas entrar no universo vegano também exige atenção pra não cair em verdades absolutas e inquestionáveis. Como qualquer outro assunto, existem muitas variações e níveis de consciência, e a imposição não aproxima ninguém, né? Se o veganismo busca a igualdade e a empatia, praticar isso pra fora da bolha da excelência é mega importante pra trazer cada vez mais pessoas pra essa causa. Retirar a carne de uma refeição, é melhor do que de nenhuma, e pra não usar plástico não é necessário ter a ecobag do ano. São exemplos bem simples, mas quando se esquece disso, realmente fica muito mais fácil e cômodo pensar pelo lado de “já que eu não consigo fazer tudo, então de nada vale meu esforço”. 

Imagem: plantte.com

 

Classificar pessoas e movimentos em estereótipos não gera a mudança que se deseja. Ouvir, acolher, refletir e mudar é o que gera a revolução que se espera :) De que lado tu deseja se encontrar?

 

Texto escrito por: Vegalizai

 

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