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POR QUE O LEITE PREJUDICA A PRESERVAÇÃO DA ÁGUA?

julho 14, 2021

Tudo o que fazemos gera impacto no nosso planeta. Algumas escolhas impactam mais, outras menos. Pare agora e faça uma reflexão: olhe na sua volta, escolha algo e faça o caminho inverso de como esse objeto/alimento chegou aí. Por onde/como ele foi transportado, como foi produzido, o que foi utilizado na sua produção e de onde os insumos foram retirados. De qualquer forma, uma regra é geral: tudo, em algum momento, é retirado de um recurso natural não renovável; gera CO2 (inclusive no seu transporte); envolve uso de terras na produção; e água doce. 


Se tudo gera impacto, faz diferença optarmos por um ou outro? Claro! Nesse artigo, vamos trazer a comparação da economia de água entre alimentos de origem vegetal e de origem animal - principalmente, proteína vegetal e Whey Protein. No final deste, você vai entender como pequenas mudanças na nossa rotina podem causar um enorme impacto. 

 

A importância do consumo de água na pecuária 

A água tem diversas funções e é essencial na criação de bovinos, seja para irrigar sua comida ou para simplesmente a beberem. Diversos fatores impactam o consumo de água na pecuária, entre eles o tipo e tamanho do animal, a dieta, e os fatores ambientais, como a temperatura da época. Vacas em lactação, ou seja, as que produzem leite, requerem uma quantidade muito grande de água, uma vez que o leite é composto de 87 a 88% de água. Entenda a média consumida por uma vaca leiteira:


— Vaca em Lactação: consumo de 64 litros de água por dia, aproximadamente;
— Vaca e Novilha no final da gestação: consumo de 51 litros de água por dia, aproximadamente;
— Vaca Seca e Novilha gestante: consumo de 45 litros de água por dia, aproximadamente;


Entre tantos fatores que impactam a quantidade utilizada na produção de leite, apenas uma coisa é certa: a água é essencial e usada em abundância. 

 

O impacto da retirada da água doce na pecuária 

O fato de a Terra ser constantemente chamada de "Planeta Azul" pode nos levar a acreditar que a água que consumimos em nosso dia a dia é extremamente abundante e que não há possibilidade de vir a se esgotar, o que não é verdade. De toda a água existente no planeta, 97,5% equivale a água salgada e, portanto, apenas 2,5% representa a água doce. A maior parte desta água doce, no entanto, é encontrada indisponível para o consumo humano na forma de gelo ou cobertura de neve permanente nos polos e regiões montanhosas, ou como águas subterrâneas em lençóis freáticos. Assim, da quantidade total de água doce na Terra, apenas 0,26% encontra-se disponível para atender às nossas necessidades vitais, concentrando-se em lagos, reservatórios e bacias hidrográficas (Shiklomanov & Rodda, 1998).


Uma meta-análise (Poore e Nemecek, 2018) analisou o uso da terra, captação de água doce e emissões de gases estufa pela pecuária (criação de animais). Foram identificados 1530 estudos para inclusão potencial, que foram complementados com dados adicionais recebidos de 139 autores. Os estudos foram avaliados com base em 11 critérios elaborados para padronizar a metodologia, resultando em 570 estudos considerados adequados pelos autores. O conjunto de dados cobre 38.700 fazendas comercialmente viáveis ​​em 119 países e 40 produtos que representam 90% do consumo global de proteínas e calorias. 


Segundo o estudo, em média no Brasil, para produzir 1 litro de leite são necessários 50,8 litros de água. Estimou-se que da retirada de água doce, dois terços sejam para irrigação. Ou seja, do uso de água para a produção pecuária, grande parte é para irrigar a comida dos animais, como a soja - inclusive, plantada por monocultura e grande responsável pelo desmatamento. Pensando assim, essa água retorna para a terra, certo? Nem tanto. A irrigação retorna menos água aos rios e lençóis freáticos do que os usos industriais e municipais. 
Foi mapeado também outros problemas relacionados à captação de água doce pela pecuária. Explicando primeiramente: foi utilizada a métrica da caloria, pois é a energia que os alimentos fornecem ao organismo. Logo, foi descoberto que a quantidade de alimentos animais gerados pela pecuária equivale a apenas 5% das calorias produzidas mundialmente (entre grãos, cereais, frutas, verduras, carboidratos…), enquanto representa 40% da carga ambiental. Uma carga ambiental gigante para pouca caloria, logo, pouco alimento. 


Acontece que, além das retiradas enormes de água (que já são um impacto por si só), descobriu-se que os tanques onde a vaca bebe água também geram metano - sendo até 450 g de metano por kg de peso vivo. Um terço explicado pela temperatura, que acelera a metanogênese (etapa final no processo de degradação anaeróbica da matéria orgânica biodegradável em metano e CO2) e a produção primária líquida (a diferença entre a fotossíntese e a respiração autotrófica da vegetação natural), mas isso é assunto para outro artigo. Apenas para contexto, a fermentação entérica (digestão de materiais orgânicos, liberada pela flatulência e arrotos de animais) gera até 400 g de metano por kg de peso vivo. O que importa aqui: os tanques de água podem afetar mais o aquecimento global do que a fermentação entérica tão citada por aí.  


A água é utilizada em abundância (mesmo sendo escassa na natureza) na produção de muitos produtos, principalmente nos de origem animal. Agora, será que faz diferença fazer pequenas trocas por produtos de origem vegetal na nossa rotina?

 

Proteína da ervilha versus Whey Protein 

Falando especificamente do Whey Protein, visto como, até então, um subproduto do leite.


O soro lácteo pode ser definido como a fração aquosa do leite que é separada da caseína durante a produção de queijos, correspondendo a aproximadamente 90% do volume do leite, dependendo do tipo de queijo processado. Este derivado lácteo, segundo Giroto e Pawlowsky, apresenta, em sua composição química, aproximadamente 93-94% de água. Para transformação em pó, ele é seco por processos tecnológicos, em que o extrato seco do soro de leite é aproximadamente de 7%, onde 4,5% correspondem à lactose, 0,9% às proteínas solúveis e 0,6% a sais minerais. Para Moreira et al., uma fábrica com produção média de 10.000 litros de soro de leite por dia polui o equivalente a uma população de 5.000 habitantes. 

Sabendo disso tudo, estima-se que para produção de 1 kg de Whey, precisa-se de 160 litros de leite, logo, 8.000 litros de água. Comparando a proteína de ervilha, 1 kg de proteína de ervilha equivale a 622 litros de água. Ou seja: uma diferença de 92%.* 

*O cálculo considera que aproximadamente 18% da proteína do leite é Whey, que cada litro de leite tem 34g de proteína no total, de forma que 1 litro de leite teria 6.12g de Whey Protein. Considera também que cada 100g de ervilha em grão seco contém 17.1g de proteína. Todas conversões proteicas são baseadas na Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO e TBCA). 

 

Lembra quando falamos lá no início do texto sobre como pequenas mudanças de hábito podem fazer uma diferença enorme? Olha aqui:

🌱 Cada vez que você troca Whey Protein por MOTHER® (dose de 34g), você economiza 250,85 litros de água. 

🌱 Em um pote, você está economizando 4.013 litros de água.  

🌱 Se você tomar uma dose diária de MOTHER® no lugar de Whey Protein por 6 meses, você economiza o montante de 45.898,69 litros de água. 


Imaginem toda água que continuaria na natureza com uma simples troca na nossa rotina. 

 

Se você quer dar um passo de cada vez, já é ótimo! Lembre sempre: pequenas atitudes transformam mais do que nenhuma. Se todos pensassem assim e reduzissem pela metade o consumo de produtos animais, as retiradas de água doce já seriam reduzidas em 87%. Além do impacto ambiental, recentemente cientistas refizeram as contas e chocaram a todos: 4 bilhões de pessoas sofrem com a falta de água no mundo todos os anos. É pelas pessoas, pelos animais e pela natureza. Nós acreditamos muito no poder de mudar o mundo com a nossa alimentação! Chega de desperdiçar e poluir o recurso, não?

 

REFERÊNCIAS

Rohlfes et al. Indústrias lácteas: alternativas de aproveitamento do soro de leite como forma de gestão ambiental. 2011. 


Bustamante et al. Estimating greenhouse gas emissions from cattle raising in Brazil. Climatic Change. 2012. 115, 559. 


Guibourg, Helen Brigg. Climate change: Which vegan milk is best? BBC News. 2019. https://www.bbc.com/news/science-environment-46654042


Tilman, M. Clarck. Global diets link environmental sustainability and human health. Nature. 515, 518-522.


EMATER. Informativo da Produção Agrícola. Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural/ EMATER-DF. 2009/2010.


Ercin AE, Aldaya MM, Hoekstra AY. The water footprint of soy milk and soy burger and equivalent animal products. Ecological Indicators. 2012.


Poore, T. Nemecek. Reducing food’s environmental impacts through producers and consumers. 2018. DOI: https://doi.org/10.1126/science.aaq0216


Mekonnen MM, Hoekstra AY. A global assessment of the water footprint of farm animal products. Ecosystems. 15, 401-415 Appendix V. Water footprint of animal products (m3/ton). 2012.

 



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