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Decifrando os Rótulos: Como Saber se o Produto é Vegano?

dezembro 29, 2020

Uma das maiores habilidades que desenvolvemos quando viramos veganos é a leitura rápida de rótulos - podemos quase chamar de um superpoder. Vamos no mercado, pegamos os produtos e fazemos uma leitura dinâmica para ver na lista de ingredientes. Em muitos produtos nos deparamos com o "soro de leite em pó", mas pior ainda é quando nos depararmos com nomes que não entendemos o que são - muito menos entendemos se tem origem animal ou não. 

Emulsificante diglicerídeos de ácidos graxos, estearoil-2-lactil, polisorbato 80… A importância de ter um rótulo claro vai muito além da saúde. É consciência alimentar. Alguns rótulos possuem dezenas de ingredientes, mas quase nenhum alimento de verdade. Às vezes as listas podem parecer grego ou até senhas de alta segurança, mas não ingredientes de um alimento. Ler rótulos ajuda a ter consciência e manter uma alimentação saudável, pois permite fazer boas escolhas desde o momento da compra no supermercado, até a hora do consumo, durante as refeições.

Muitos ingredientes conseguimos indicar de cara, como "ovo", "leite" e "soro de leite", mas outros mal sabemos o que são. Enquanto as marcas seguem colocando ingredientes indecifráveis, precisamos estudar um pouquinho. Montamos uma lista com os insumos mais utilizados pela indústria e que podem ser de origem animal. Olha aí: 

 

ALBUBINA

É uma proteína extraída da clara do ovo.

 

CASEÍNA / CASEÍNATO / CASEINOGÊNITO

É extraído da proteína do leite.

 

ÁCIDO LÁTICO

Pode ser tanto de origem animal quanto vegetal. Originalmente foi extraído do leite, mas atualmente existe de origem vegetal, obtido através da fermentação de amido de milho, do bagaço da cana-de-açúcar ou açúcar de beterraba. 

 

CORANTE CARMIM/ COCHONILHA

É um corante feito a partir de insetos cochonilha, que produzem ácido carmínico como proteção. Para produzir 450 g de corante são necessários cerca de 70 mil insetos. O corante tem cor avermelhada e é utilizado principalmente em alimentos sabor morango, como biscoitos, sucos e iogurtes. 

 

CASEÍNA/ CASEINATO DE SÓDIO

A caseína é a proteína do leite, já o caseinato de sódio é a adição de sódio na caseína para atingir um ph ideal para a secagem. Geralmente estão presentes em produtos lácteos, mas pode ter em pães, salgadinhos e snacks. 

 

GLICERINA

Pode ser tanto de origem vegetal como animal, sendo produzida a partir de gordura animal ou ser de origem vegetal/sintética. É muito utilizada em cosméticos.

 

GELATINA/ E441

As gelatinas são normalmente feita a partir de suínos, bovinos ou ossos desmineralizados de animais. O mesmo vale para o colágeno!⁣ Geralmente aparece nas balas, chicletes e marshmallows. Em alguns produtos, a gelatina é de origem vegetal - mas é bem raro e costuma estar descrito!  

 

LECITINA/E-322

Pode ser de origem animal ou vegetal. A animal é extraída da gema do ovo e tem função de emulsificar misturas. A mais utilizada no Brasil é a lecitina de soja, que é vegana - nesse caso, geralmente é especificado no rótulo. 

 

VITAMINA D3

A Vitamina D3 tradicional é obtida através da lanolina, gordura extraída da lã da ovelha. Já a Vitamina D2 tem origem vegetal. Acontece que, na maioria dos casos, os rótulos não especificam qual delas é utilizada. 

 

AROMA NATURAL

Às vezes, a indústria utiliza das formas mais bizarras para atingir resultados específicos. Um exemplo disso é o aroma de baunilha que em alguns casos é extraído dos órgãos genitais de um castor. Sim, é isso mesmo: o composto químico que os castores usam para marcar o seu território tem um aroma a baunilha. A boa notícia é que essa não é a forma mais comum do aroma (até por ser uma extração cara), mas fica o alerta para ficar de olho sempre!

 

Como alguns ingredientes podem ter tanto origem animal quanto vegetal, nós indicamos pesquisar mais afundo, como no Google. Caso na hora esteja com pressa, indicamos buscar por produtos com selo da Sociedade Vegetariana Brasileira.

Convenhamos, não deveria ser tão complicado. É por isso que alimentos clean label estão ganhando destaque nas prateleiras e há um aumento na procura por uma alimentação mais saudável e limpa. É nosso papel como consumidores cobrar das marcas  rótulos com ingredientes "reconhecíveis" ou, ainda, comprar mais de marcas que sejam claras e limpas. A única forma de transformar o sistema é mudando a demanda. Se você exigir mais saúde e responsabilidade, os interesses do consumidor se encontrarão com os interesses da indústria e um futuro com mais saúde será construído.

 



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