0

Seu carrinho está vazio

Consumir mais leguminosas beneficia a saúde humana e ambiental

abril 09, 2021

Leguminosas, como feijões, grão de bico, lentilha, soja e ervilha, são alimentos que compõem uma diversidade imensa de pratos e refeições, devido a versatilidade e acessibilidade. Densamente nutritivas, são ricas em proteínas, fibras, micronutrientes, como ferro e folato, e possuem baixo teor de gorduras. Suas propriedades nutricionais ajudam na manutenção do peso saudável, saúde intestinal e redução do risco de doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.

 

Leia também: MOTHER RESPONDE: QUANTA PROTEÍNA PRECISO COMER POR DIA?

 

Com base nisso, um artigo recente publicado na Nutrients (journal) mostrou que políticas que incentivem uma dieta com leguminosas, beneficiariam tanto a saúde humana quanto a ambiental. E um ponto de destaque foi que durante a pandemia de COVID-19, aumentou o interesse do consumidor por esses alimentos, o que foi atribuído não apenas aos seus aspectos nutricionais, mas a fatores como: serem mais acessíveis e não perecíveis; maior facilidade no armazenamento; aumento na procura por dietas à base de plantas; maior conscientização ambiental. 

Se os consumidores mudarem seus padrões alimentares para uma dieta baseada em leguminosas, as emissões de gases de efeito estufa (GEE) seriam reduzidas significativamente. Um outro estudo feito por Harwatt, et al, em 2017, demonstrou que se todos os cidadãos americanos substituíssem 100g de feijão por 100g de carne bovina todos os dias ao longo de 4 anos, poderiam contribuir com 46-74% das reduções de emissões de gases de efeito estufa necessárias para atingir as metas dos Estados Unidos para 2020. Isso aconteceria devido à diferença nas emissões de GEE entre as fontes de proteína: a produção de carne pode ter cerca de 150 vezes maior potencial de aquecimento global do que a proteína vegetal. Além desta pegada de carbono significativamente menor, tal mudança na dieta de carne bovina para leguminosas (substituição em 100g diárias) poderia liberar 42% das terras cultiváveis nos Estados Unidos, e a redução da terra usada para a agricultura pode ajudar a prevenir danos ao ecossistema, reduzir o desmatamento e proteger a biodiversidade.

O estudo também enfatiza que aumentar o consumo de leguminosas contribuiria com a saúde da população. Já está comprovado que uma alimentação não saudável é um dos principais fatores de risco para doenças crônicas, responsáveis por mais de 70% das mortalidades em todo o mundo. Além disso, o tratamento dessas doenças tem um custo elevado e consome dois terços de todos os gastos com saúde em países como o Canadá e custou para os Estados Unidos, em 2016, US$ 1,1 trilhão ou cerca de 6% do seu PIB. Diante disso, a prevenção é a abordagem mais eficaz e sustentável para evitar essas doenças. Incentivar e aumentar o consumo de leguminosas nos padrões alimentares de diversos países, ajudaria a melhorar e a promover ativamente a saúde da população. Uma análise sobre o potencial de saúde e economia de custos sociais no Canadá revelou que a inclusão de 100g de leguminosas por dia poderia render até $ 62,4 milhões em economia anual de saúde relacionada ao diabetes tipo 2 e até $ 315,5 milhões para doenças cardiovasculares.

Isso demonstra o papel significativo que as leguminosas podem desempenhar na redução dos custos socioeconômicos e de doenças humanas, promovendo sistemas de saúde sustentáveis. Porém, para que tais políticas funcionem, é essencial incentivar o consumo de leguminosas e trabalhar a educação nutricional, versatilidade culinária e sustentabilidade. Pois foi observado que a principal barreira ao consumo era a hesitação em seguir determinados padrões alimentares devido à falta de conhecimento, experiência culinária ou a percepção de que leguminosas são "comida de pobre".

 

Texto escrito por Ale Luglio, nutricionista especializada em nutrição vegetariana.

 

Referências:

  1. Abdullah, M.M.H.; Marinangeli, C.P.F.; Jones, P.J.H.; Carlberg, J.G. Canadian potential healthcare and societal cost savings from consumption of pulses: A cost-of-illness analysis. Nutrients 2017, 9, 793

  2. Didinger, C. Thompson, H. Motivating Pulse-Centric Eating Patterns to Benefit Human and Environmental Well-Being. Nutrients 2020, 12, 3500, 1-12.

  3. Harwatt, H.; Sabaté, J.; Eshel, G.; Soret, S.; Ripple,W. Substituting beans for beef as a contribution toward US climate change targets. Clim. Chang. 2017, 143, 261–270
Business Development
Business Development



Ver artigo completo

Você sabe a diferença entre veganismo pragmático e abolicionista?
Você sabe a diferença entre veganismo pragmático e abolicionista?

abril 18, 2021

Seaspiracy - Novo documentário da Netflix mostra como estamos destruindo os oceanos
Seaspiracy - Novo documentário da Netflix mostra como estamos destruindo os oceanos

abril 09, 2021

Dietas da Moda não mais!
Dietas da Moda não mais!

abril 09, 2021