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A relação entre diabetes do tipo 2 e alimentação à base de plantas

julho 12, 2021

Atualmente, a diabetes do tipo 2 tem sido um grande desafio quando se trata da saúde mundial. Foi estimado, pela Federação Internacional de Diabetes, que 463 milhões de pessoas (o equivalente a 9,3% da população mundial) tem diabetes. Além desse dado, estima-se que a prevalência da doença em 2030 seja de 578 milhões, resultando em um aumento para 10,4%.

O aumento dessa prevalência coincide com uma mudança significativa que vem acontecendo no padrão alimentar mundial nas últimas décadas. Isso se refere a uma alimentação pobre em vegetais, frutas e legumes, combinada com um consumo elevado de alimentos de origem animal e de outros alimentos processados.

Estudos observacionais, feitos em diversos locais, identificaram uma grande redução no risco de diabetes ao comparar populações veganas e vegetarianas com outros padrões alimentares. Muitos desses estudos são feitos com populações adventistas, que limitam/evitam o consumo de carnes e outros alimentos de origem animal, o que possibilita estudar esses diferentes tipos de alimentação e comparar com populações que possuem um padrão alimentar diferente.

Em um desses estudos, concluiu-se que 97% dos homens e 93% das mulheres possuíam risco mais elevado ao serem comparados com populações vegetarianas. Além disso, em outro estudo com 8401 adventistas sem diabetes, percebeu-se que aqueles que consumiam carne de qualquer tipo (incluindo frutos do mar), pelo menos uma vez por semana, tiveram um risco de diabetes de 38% a mais comparado com o grupo que não consumia nenhum tipo de carne.

A alimentação à base de plantas, principalmente vegana, também se mostrou eficiente ao melhorar o controle glicêmico, peso corporal, marcadores de riscos cardiovasculares e complicações microvasculares em pacientes com diabetes do tipo 2.

Em relação ao controle glicêmico, a resistência à insulina é causada por um acúmulo de gordura visceral e hepática, que normalmente começa anos antes do diagnóstico da diabetes do tipo 2. Esse acúmulo está diretamente relacionado com as mudanças do padrão alimentar da população de uma forma geral, que passou a ter mais gordura e alimentos processados na sua composição. Dietas ricas em gordura podem alterar a função da barreira intestinal, deixando com que endotoxinas bacterianas a ultrapassem, atrapalhando o metabolismo da oxidação de glicose. O efeito da diminuição de gordura das refeições pode ser observado, não só a longo prazo, mas também após uma única refeição, evitando altos níveis de insulina pós-prandial por um longo período de tempo.

Em relação ao manejo do peso (fator que também está relacionado com o risco de diabetes, além do risco de complicações para indivíduos já diagnosticados), foi feito um estudo com o seguinte comparativo entre populações com diabetes:

Um grupo seguiu uma dieta vegana, com baixo teor de gordura sem ter um limite de ingestão calórica diário, enquanto o segundo grupo seguiu uma dieta regular com um limite de ingestão calórica por dia. Após 22 semanas, o grupo que obteve a perda de peso mais significante foi o que seguiu a dieta vegana.

Além da alimentação à base de plantas ser relacionada com um risco menor para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, ela também pode reverter placas de ateroma. Em um estudo com pacientes portadores de doença arterial coronariana (grau moderado-avançado), esses foram submetidos a seguir uma dieta vegetariana com baixo teor de gordura, combinada com exercício, modulação de estresse e livre de tabagismo. Após 5 semanas, houve uma grande redução da estenose, enquanto no grupo controle, houve um avanço da doença, e os pacientes ainda obtiveram maiores chances de necessitarem de angioplastia e cirurgia bypasscomparado com o grupo vegetariano.

Sobre as complicações microvasculares, é importante citar que 20-40% dos diabéticos possui doença renal crônica. Diversos estudos apontam que uma alimentação plant based ou com redução de carne vermelha pode reduzir a albumina urinária em pacientes com doença renal crônica. Além dessa doença, cerca de 50% dos pacientes diabéticos sofrem de neuropatia, e não há tratamento farmacológico que reverte o dano do nervo, além de melhorar e promover um controle glicêmico. Um estudo, de 20 semanas, levou um grupo à introdução de uma alimentação vegana e com baixo teor de gordura, resultando em uma melhora da função neural e diminuição da dor, comparado com o grupo sem tratamento.

 

Leia também: OXALATO TEM RELAÇÃO COM FORMAÇÃO DE CÁLCULOS RENAIS?

 

Podemos concluir que o consumo de grãos/cereais integrais, legumes, frutas e vegetais junto com a exclusão de alimentos de origem animal reduz o risco do desenvolvimento de diabetes do tipo 2. Já em indivíduos diabéticos, esse tipo de alimentação promove uma maior adequação do peso corporal, controle glicêmico, níveis de colesterol e pressão arterial, enquanto reduz o risco do desenvolvimento de doenças cardiovasculares e complicações microvasculares.

 

Referência:

Jardine et al.; 2021; doi: https://doi.org/10.1093/advances/nmab063.

 



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