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A RELAÇÃO DO CONSUMO DE CARNE VERMELHA COM A ENDOMETRIOSE

novembro 03, 2021

A Endometriose apresenta uma condição ginecológica comum, estrogênio dependente e caracterizada pelo crescimento de tecido endometrial em localização extrauterina, podendo comprometer diversos locais. Entre os mais comuns: ovários, útero, trompas e colón.

 

Os principais sintomas são:

  • Dismenorreia (dores durante a menstruação, cólicas leves são normais, mas dores muito fortes precisam ser investigadas).
  • Dor pélvica (fora do período menstrual, é importante investigar esse sintoma).
  • Dispareunia (dor durante a relação sexual, a maioria das mulheres relatam esse sintoma).
  • Infertilidade (muitas mulheres só descobrem a endometriose quando começam a tentar engravidar).
  • Alterações urinárias e intestinais.

 

Nas últimas décadas foi encontrada a presença de citocinas inflamatórias (IL-1, IL-6, TNF-alfa) no tecido endometrial de mulheres portadoras da doença. E com isso o papel da inflamação na patogênese foi confirmado. A etiologia da doença ainda não é bem definida e ainda necessita de muitas pesquisas e estudos.

Até o presente momento sabemos que a doença não tem cura, entretanto existem dois tipos de tratamento: clinico e cirúrgico. Quem avalia o mais indicado é o médico ginecologista e/ou cirurgião.

Dependendo do caso, o método mais eficaz é o cirúrgico, pois é o único capaz de retirar os focos. Contudo, associado a cirurgia essa mulher precisa ser encorajada a mudar o estilo de vida, praticar atividade física regularmente, modular o estresse e fazer ajustes na alimentação. 

Esses pilares são fundamentais para evitar o avanço e surgimento de novos focos, redução das dores e consequentemente a melhora da qualidade de vida.

 

 

Estudos recentes têm identificado que a dieta é um potencial fator de risco para a endometriose. Shivappa e colaboradores (2014), desenvolveram um índice inflamatório para avaliar a qualidade da dieta correlacionando com marcadores inflamatórios (IL-6, TNF-alfa, PCR). Entre esses parâmetros pró infamatórios estão em destaque a gordura total, gordura saturada, colesterol e ferro heme. Nutrientes presentes principalmente na carne vermelha e sua redução ou retirada apresentam muitos benefícios.

Separei os pontos mais relevantes de todos os artigos estudados:

  • O consumo de carne vermelha foi relacionado com a redução do SHBG, essa redução é negativa pois o SHBG, mantêm os hormônios sexuais em equilíbrio.
  • O consumo de carne vermelha foi relacionado com o aumento do Estradiol. A endometriose é estimulada por esse hormônio, por isso, uma das táticas de tratamento da doença é a de suprimir ou, ao menos, diminuir a concentração de estradiol no sangue da mulher.
  • O consumo de carne vermelha aumenta a presença de ferro heme no sangue, esse tipo de ferro está associado a maior inflamação e estresse oxidativo, que são potenciais contribuidores da endometriose.
  • A carne vermelha é fonte de gordura saturada e colesterol, nutrientes que aumentam a resposta inflamatória do corpo.
  • A redução da carne vermelha e aumento do consumo de fibras, vegetais e grãos integrais, favorecem a saúde intestinal, melhorando a imunidade, prevenindo infecções e garantindo um bom funcionamento intestinal, digestivo 

 

Concluindo

A dieta mais indicada para a mulher com endometriose é com características anti-inflamatórias, rica em grãos integrais, frutas, vegetais, azeite de oliva, fibras, moderado consumo de álcool e baixo consumo de carne vermelha e frango. 

Esse tipo de alimentação tem sido associado a menores níveis de inflamação principalmente em mulheres que apresentam sintomas de dor. Futuros estudos de intervenção dietética entre mulheres com endometriose podem ajudar a confirmar esta observação e fornece mais informações.

 

Referências:

Trabert, B., et al. (2011) Dieta e risco de endometriose em um estudo caso-controle de base populacional. British Journal of Nutrition, 106, 459-467.

Yamamoto, A., et al. (2018) Um estudo de coorte prospectivo de consumo de carne e peixe e risco de endometriose. Am J Obstet Gynecol, 219 (2).

Halpern, G., Schor, E., Kopelman, A. (2015) Aspectos nutricionais relacionados à endometriose. Revista da Associação Médica Brasileira, 61 (6), 519-523.

Jurkiewicz-Przondziono, J. et al. (2017) Influência da dieta no risco de desenvolver endometriose. Ginekologia Polska, 88 (2), 96–102.

Demezio da Silva, et al. Journal of Endometriosis and Pelvic Pain Disorders, 2020.

 

Leia também: BENEFÍCIOS DE UMA DIETA VEGETARIANA

 



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