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A pecuária do leite e o impacto de CO2 no mundo

agosto 11, 2021

Já se vem falando muito sobre os impactos negativos do efeito estufa para a terra, mas nesta semana, 9 de agosto de 2021, saiu o relatório do Painel Intergovernamental sobre mudanças climáticas (IPCC) que mostrou o papel da influência humana no aquecimento do planeta. Em 2019, as concentrações de CO2 na atmosfera estavam mais altas do que em qualquer outro momento durante os últimos dois milênios (IPCC, 2021). A temperatura do planeta está aumentando acima do previsto, causando tempestades violentas, derretimento do gelo, frio excessivo e muito calor fora de época em diversos países. 

Pesquisadores afirmam que uma das principais responsáveis pelas emissões do efeito estufa no Brasil e no mundo é a atividade rural, como a mudança de uso de terras e o setor de agropecuária. Os principais gases do efeito estufa são os mesmos emitidos pelos animais ruminantes. São eles: o gás carbônico (CO2), metano (CH4) e o óxido nitroso (N20). O que muita gente não sabe, é que além do gado de corte, o gado de leite também tem grande participação nas emissões. 

Um estudo feito por Poore e Nemecek (2018) analisou o uso da terra, captação de água doce, emissões de gases estufa pela pecuária, acidificantes e eutrofizantes. O conjunto de dados cobre 38.700 fazendas comercialmente viáveis ​​em 119 países e 40 produtos que representam 90% do consumo global de proteínas e calorias. Como resultado, apareceu que as emissões de GEE (gás do efeito estufa) da carne bovina são de 105kg de CO2 por 100g de proteína. É um número absurdo se fizermos as contas de quantos kg de carne uma só pessoa consome por ano. 

Dentro da agropecuária, tem alguns subsetores que são considerados os maiores emissores do efeito estufa. Segundo o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), o subsetor que mais contribui com as emissões é a fermentação entérica, que é o popular "arroto do boi". Também se considera a utilização de fertilizantes sintéticos, os solos manejados causados pelo uso e deposição dos dejetos dos bovinos e o desmatamento para cultivo de grãos usados para alimentar os animais. 

Dentro desse cenário, também temos o crescimento da produtividade na pecuária leiteira, que consequentemente aumenta as emissões de gases do efeito estufa devido a maior alimentação das vacas, uso de energia nas operações agrícolas, principalmente na ordenha, que é feita por máquinas nas grandes indústrias, diferente da ordenha manual, conhecida por muitos (FAO, 2019).

 

 

Refletindo tudo isso, estima-se em números que para produção de 1 kg de Whey, precisa-se de 160 litros de leite, que corresponde a 51 kg de CO2. Comparando a proteína de ervilha, 1 kg de proteína de ervilha equivale a 0,7 kg de CO2. Ou seja: uma diferença de 98%.* 

*O cálculo considera que aproximadamente 18% da proteína do leite é Whey, que cada litro de leite tem 34g de proteína no total, de forma que 1 litro de leite teria 6.12g de Whey Protein. Considera também que cada 100g de ervilha em grão seco contém 17.1g de proteína. Todas conversões proteicas são baseadas na Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO e TBCA). 

Não tem como negar, a alimentação faz a diferença no mundo, sim! E se torna cada dia mais urgente uma mudança. Pode ser aos poucos, mas novas escolhas precisam ser feitas. Uma diferença de 98% na emissão dos gases do efeito estufa é gerada se tu trocar o whey pela proteína vegetal. Além do CO2, essa troca impacta positivamente no consumo de água e de terras, que podem ser usadas para plantio de outros alimentos e pro reflorestamento. Com mais árvores, maior a absorção do CO2 e maior é a redução do efeito estufa. 

 

Referências: 

Sistema de estimativa de emissões de gases de efeito estufa (Seeg). Análises das emissões brasileiras de gases de efeito estufa e suas implicações para as metas de clima do Brasil, 2020. Disponível em:https://www.oc.eco.br/wp-content/uploads/2020/11/OC_RelatorioSEEG2020_final.pd

Poore, T. Nemecek. Reducing food’s environmental impacts through producers and consumers. 2018. DOI: https://doi.org/10.1126/science.aaq0216

Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC). Climate change widespread, rapid, and intensifying, 2021. Disponível em https://www.ipcc.ch/2021/08/09/ar6-wg1-20210809-pr/

Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO). Climate change and the global dairy cattle sector. The role of the dairy sector in a low-carbon future. Roma, 2019. Disponível em: http://www.fao.org/3/CA2929EN/ca2929en.pdf

Sistema de estimativa de emissões de gases de efeito estufa (Seeg). Análises das emissões brasileiras de gases de efeito estufa e suas implicações para as metas de clima do Brasil, 2020. Disponível em: https://www.oc.eco.br/wp-content/uploads/2020/11/OC_RelatorioSEEG2020_final.pdf 

USP (Universidade de São Paulo). Efeito estufa- Química Ambiental e Educação Ambiental. São Paulo, 2006. Disponível em: http://www.usp.br/qambiental/tefeitoestufa.htm 

 



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